Os músicos da Orquestra do Algarve ganharam um novo ânimo com a recente mudança de direcção e podem até 'deixar cair' o processo em tribunal. Saiba mais.
“Sempre dissemos que queríamos resolver as coisas internamente e nunca tivemos abertura. Agora, entraram pessoas novas, com ideias diferentes - esperamos nós - e isso dá-nos motivação”, adianta ao Observatório do Algarve um membro do Comité de Músicos, que preferiu manter o anonimato.
Os cerca de 30 músicos da Orquestra do Algarve (OA) têm reivindicado direitos laborais desde 2008 e pretendem, acima de tudo, que os 15 contratados a recibos verdes passem a ter contratos efectivos: “Só queremos contratos legais, de acordo com a lei portuguesa”, lembra. Algo que esperam que aconteça com a recente mudança de direcção (ver aqui).
Por enquanto ainda não há datas para a primeira reunião com os novos dirigentes, mas os músicos mostram-se abertos ao diálogo e a esperar.
“Não vamos forçar nada. Queremos dar tempo para que se possam adaptar e ver realmente o que se passa dentro da Orquestra”, diz, e reconhece: “Em dois ou três meses não se resolverá, mas desde que haja pessoas dispostas a falar connosco e interessadas em resolver os problemas, podem contar com todo o nosso apoio”.
O caso mais 'bicudo' é o processo que os músicos têm em tribunal contra a OA desde o ano passado, com o qual pretendem ser ressarcidos de créditos devidos. Um valor que ascende a cerca de um milhão de euros.
O representante dos músicos admite que o processo - que entretanto foi reactivado depois de ter sido suspenso para um diálogo que não chegou a acontecer - possa ser retirado dos tribunais.
“Estivemos no tribunal em Agosto e não queremos voltar. Se chegarmos a um acordo em relação aos contratos e às condições de trabalho, o processo em tribunal será terminado e a indemnização é esquecida. Abdicamos daquilo que temos de abdicar e não vamos pedir mais do que aquilo que nos podem dar. Não vamos forçar, sabendo que poderá levar ao fim da Orquestra. Ninguém quer isso”.
O mesmo consenso é, aliás, pretendido por parte da Direcção da Orquestra, que defende uma solução pacífica para o problema, fora dos tribunais.
"Vamos tentar enquadrar todos os músicos, desde que isso não aumente a massa salarial, porque tem de haver contenção", afirma fonte da direcção. Em compensação pela não existência de aumentos, a Direcção poderá conceder prémios de produtividade, para motivar os profissionais.
OA 'aperta o cinto'
De acordo o relatório de contas a que o Observatório do Algarve teve acesso, o orçamento para 2009 será de 1.563.328 milhões de euros. Um valor inferior aos 1.711.128 milhões de euros do ano passado.
Para agravar a situação, os custos globais que a OA teve em 2008 (1 707 142 euros) subiram 11 por cento relativamente a 2007 e as despesas mais altas foram mesmo as remunerações do pessoal (427 249 euros).
Tendo em conta que o orçamento vai baixar em 2009 e os custos com o pessoal deverão aumentar (a confirmar as contratações dos 15 músicos), prevê-se que a OA vá ter de fazer mais cortes nas despesas.